Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso, tem sua história diretamente ligada ao ouro. Desde o final da década de 1970, quando foram descobertas ocorrências do minério na região, o garimpo passou a transformar a economia, a população e o desenvolvimento do município.
A descoberta do ouro, por volta de 1978, provocou a chegada de milhares de pessoas em busca de trabalho e riqueza. Com o passar dos anos, o garimpo deixou de ser apenas uma atividade de extração e passou a movimentar uma grande cadeia econômica, envolvendo comércio, máquinas, combustível, oficinas, transporte, alimentação, hospedagem, empresas, cooperativas e diversos outros serviços.
Até hoje, o ouro continua tendo grande importância para Peixoto de Azevedo.
UMA GRANDE RIQUEZA DEBAIXO DA TERRA
O município está entre as áreas de destaque da produção de ouro em Mato Grosso. A atividade mineral gera empregos e movimenta milhões de reais todos os anos.
Um dos principais recursos que retorna ao município é a CFEM — Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, espécie de royalty pago pela exploração dos recursos minerais.
Levantamentos apontam que Peixoto de Azevedo recebeu aproximadamente R$ 58,14 milhões em CFEM relacionada ao ouro entre 2010 e o primeiro semestre de 2024. Em 2019, por exemplo, foram registrados mais de R$ 6,3 milhões em CFEM, além de aproximadamente R$ 2,3 milhões em IOF-Ouro, segundo dados divulgados pela organização do setor. Em 2020, o município registrou aproximadamente R$ 10,7 milhões em CFEM, enquanto em 2022 os valores também ficaram na casa dos R$ 10 milhões. Esses números demonstram a dimensão econômica da mineração para o município.
O OURO NÃO MOVIMENTA APENAS O GARIMPO
Quando o garimpeiro trabalha, toda uma cadeia econômica é movimentada. São necessários equipamentos, máquinas, combustível, peças, manutenção, transporte, alimentação e mão de obra especializada. Por isso, os efeitos do garimpo chegam ao comércio e a diversos setores da economia local. Empresas, oficinas, postos de combustíveis, restaurantes, hotéis, lojas de máquinas e equipamentos, profissionais da área ambiental e empresas de serviços também participam dessa cadeia. Dessa forma, o ouro não representa apenas uma atividade de mineração: ele faz parte da economia de Peixoto de Azevedo.
GARIMPO LEGAL E GARIMPO ILEGAL
Outro ponto importante é diferenciar a mineração regular da exploração ilegal. O garimpo realizado dentro das autorizações e licenças previstas pela legislação possui obrigações ambientais, tributárias e minerárias. Já a exploração irregular pode provocar graves impactos, como desmatamento, degradação do solo, alteração de rios e córregos, assoreamento e contaminação ambiental.
Peixoto de Azevedo enfrenta justamente o desafio de fortalecer a mineração legalizada e combater atividades clandestinas. Nos últimos anos, cooperativas e empresas do setor também passaram a buscar tecnologias que reduzam os impactos ambientais, incluindo métodos de concentração do ouro que diminuem a necessidade do uso de mercúrio.
UMA CIDADE QUE CRESCEU COM O GARIMPO
O ouro também ajudou a formar a própria população de Peixoto. A corrida pelo minério trouxe pessoas de diferentes regiões do Brasil, muitas delas em busca de uma oportunidade de trabalho. Muitos chegaram pensando apenas em trabalhar no garimpo e acabaram construindo suas vidas no município. Assim, o garimpo não apenas movimentou dinheiro: também participou diretamente da formação social e histórica de Peixoto de Azevedo.
MAS O OURO É FINITO
Apesar de toda a riqueza produzida, existe uma questão que precisa ser discutida: o ouro não é um recurso infinito.
Cada grama retirada do solo representa uma quantidade que não será reposta. Por isso, um dos grandes desafios de Peixoto de Azevedo é transformar parte da riqueza mineral em desenvolvimento permanente.
Investimentos em infraestrutura, educação, saúde, qualificação profissional, agricultura, pecuária, piscicultura, comércio, tecnologia e outras atividades podem ajudar a cidade a construir uma economia menos dependente do minério.
O FUTURO DE PEIXOTO
Peixoto de Azevedo tem uma história que começou com o ouro e ainda continua sendo influenciada por ele.
O garimpo trouxe trabalho, renda, empresas, comércio e crescimento. Ao mesmo tempo, também trouxe desafios ambientais e a necessidade de fiscalização e regularização.
Hoje, a grande questão para o município não é apenas quanto ouro ainda existe no subsolo.
É também o que será construído com a riqueza que o ouro gera atualmente.
O ouro pode sair da terra, ser vendido e seguir para outros lugares. Mas os investimentos feitos com essa riqueza podem permanecer por décadas.
Peixoto de Azevedo foi construído pelo ouro. O desafio agora é fazer com que a riqueza do ouro também ajude a construir o futuro da cidade.
PRINCIPAIS NÚMEROS
1978: período associado à descoberta das primeiras ocorrências de ouro na região.
R$ 58,14 milhões: aproximadamente o valor de CFEM relacionado ao ouro entre 2010 e o primeiro semestre de 2024, segundo levantamento citado.
R$ 6,34 milhões: CFEM registrada em 2019.
R$ 10,7 milhões: aproximadamente a CFEM registrada em 2020.
Cerca de R$ 10 milhões: CFEM registrada em 2022.
1.124,5 kg: produção garimpeira estimada no município no primeiro semestre de 2023, conforme levantamento citado.
Peixoto de Azevedo continua sendo uma cidade onde o ouro está presente na economia, na história e na vida de milhares de pessoas. A mineração ajudou a construir o município, mas o grande desafio das próximas décadas será transformar uma riqueza que um dia acaba em desenvolvimento que possa permanecer.
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